O ano de 2025 trouxe uma grande alegria para mim, a conclusão do meu Doutorado em Neurologia na USP.
Tenho a certeza de ter contribuído para a ciência e ter evoluído como pesquisadora e médica.
Meu objetivo acadêmico foi atingido com sucesso e agora estou pronta para levar para minha prática médica no consultório tudo o que aprendi com a minha pesquisa sobre as alterações cognitivas e neuropsiquiátricas associadas à covid.
Veja aqui um trecho de uma entrevista que eu dei sobre a covid longa.
Espero que goste. Será um prazer ajudar.
A covid longa é uma condição crônica que surge após a infecção pelo SARS-CoV-2. É definida pela Organização Mundial da Saúde como sintomas que aparecem geralmente três meses após o início da covid, duram pelo menos dois meses e não podem ser explicados por outro diagnóstico alternativo. Pode acontecer mesmo que a infecção aguda tenha sido leve e em alguns casos o quadro pode durar meses e até mesmo anos.
Os sintomas mais comuns são cansaço intenso que não melhora com repouso, dificuldade de concentração ou memória, popularizado como “névoa mental”, falta de ar, dor de cabeça persistente, alterações no sono, dores generalizadas e quadros de ansiedade, depressão ou irritabilidade.
O principal sinal de alerta é quando a pessoa percebe que não voltou ao “normal” semanas após a infecção, especialmente se os sintomas interferem no trabalho, estudo ou atividades do dia a dia.
Do ponto de vista neurológico, apesar de não ser muito bem compreendido ainda todo o mecanismo fisiopatológico, a covid longa pode ser causada por um processo de inflamação no cérebro ou ativação excessiva do sistema imune.
O paciente deve buscar o neurologista se os seus sintomas durarem mais de três meses após a covid, interferirem no trabalho, estudos ou relações diárias, ou piorarem com o tempo – por exemplo, se o cansaço extremo ou falhas de memória impedirem atividades simples como dirigir ou trabalhar por horas.
Não espere "passar sozinho"; uma avaliação precoce é fundamental. Ignorar esses sinais pode levar a piora da qualidade de vida, dificuldade de retorno ao trabalho, isolamento social, ansiedade e depressão associadas, atraso no diagnóstico de condições tratáveis
A boa notícia é que muitos pacientes melhoram com acompanhamento médico, reabilitação e manejo adequado dos sintomas.
A covid longa ainda é uma condição relativamente nova (a covid em si tem pouco mais de 6 anos), e a ciência continua avançando para entender melhor seus mecanismos e propor tratamentos.
Infelizmente, muitos pacientes relatam que seus sintomas são subestimados ou atribuídos apenas ao estresse, o que pode gerar frustração e atraso no cuidado clínico.
É fundamental que a sociedade compreenda que os sintomas são reais e que os pacientes precisam de acompanhamento e reabilitação multidisciplinar (fisioterapia, terapia ocupacional, psicologia, nutrição, educação física).
Quanto maior a informação e a conscientização, mais cedo as pessoas procuram ajuda e melhores são as chances de recuperação.